Originalmente o artista é uma pessoa que (...) deu livre curso a seus desejos eróticos e ambiciosos. No entanto, é capaz de encontrar o caminho de volta desse mundo da fantasia à realidade, graças a um talento especial(...) Realmente se torna o criador, o favorito que quis ser. Todavia, só pode consegui-lo porque outras pessoas, como ele, se sentem insatisfeitas com a renúncia real a que estão obrigadas. [Freud - 1911]

Todos os poemas expostos aqui são traços meus [em palavras formais, de minha autoria] e estão protegidos pela Lei de Direitos Autorais LEI Nº 9.610, de 19 de Fevereiro de 1998. Podem ser usados parcial ou em sua íntegra desde que citada a fonte e o autor.

 


se meu nome dormir em seu segredo
e não pode ser dito em madrugadas
pra que não seja extinta ou apagada
minha vontade se acalma - não de medo
busco não mais seus sons, há outro enredo
para ler-me em teus olhos e sorriso
se me nega as palavras e não fala
eu invado o silêncio, e sem aviso
roubo cada uma imagem que em ti cala

Ricardo Borges

 

há lua pra o meu eclipse antes que o sol se ponha
antes que o som se oponha ao silêncio e sentimento
há orvalho e alimento antes que o sol renasça
antes que o som da praça faça troça à minha dor
um sorriso, um abraço, um beijo
um brinde ao meu desejo intenso e fátuo de me expor

Ricardo Borges

 

quanto tempo eu inda tenho pra fazer você em rima?
o tempo de abraço e beijo?
de um relâmpago, um lampejo?
do rascunho à obra-prima
dá me o tempo de uma carta ou de bilhete pequenino?
te resumo ou me estendo?
um contrato ou só um adendo?
acorde ou nota ao violino?
quanto tempo ainda me resta pra fazer você de rima?
e antes que venha o fim
desnude tu'alma em mim
que a manhã se aproxima

Ricardo Borges

o amor comeu minha fé numa madrugada quente
dançou até amanhecer rindo um riso indecente
e arrotou felicidade na cara do sol nascente

o amor comeu minha crença e a minha religião
pra isso não escolheu hora - e ria libertação
arrotava leveza, beleza e doce rebelião

então comeu minha alma e o deus que nela vivia
de novo dançou rodando até amanhecer o dia
já não vale o que há escrito
hoje meu único rito é destruir tiranias

Ricardo Borges

 

 


eu dancei entre as bombas e as flores
em rodopio incandescente de alegria
joguei fora a razão dos superiores
fiz barulho onde foi, antes, calmaria

plantei água pra beber em dias secos
e colhi, nos dias secos, aguardente
abri caminho onde antes era beco
sem saída, como fosse coisa urgente

escrevi em folhas brancas e sedentas
de histórias que jamais farão sentido
pois não é sentido o que a vida intenta

gritei versos que jamais foram ouvidos
rimas do que só a alma experimenta
e a razão duvida ter acontecido

Ricardo Borges